quarta-feira, dezembro 29, 2004

Vénus e Marte, da correspondente feminina

Do livro "A Rainha de Copas", de Matt Ridley (biólogo doutorado pela Universidade de Oxford):

" Das muitas características mentais que se pretende que sejam diferentes entre os sexos, salientam-se quatro como sendo repetíveis, reais e persistentes em todos os testes psicológicos. Em primeiro lugar, as raparigas são melhores nas tarefas verbais. Em segundo lugar, os rapazes são melhores nas tarefas matemáticas. Em terceiro lugar, os rapazes são mais agressivos. Em quarto lugar, os rapazes são melhores em algumas tarefas áudio-visuais e as raparigas noutras. Falando de um modo mais simples, os homens são melhores a decifrar um mapa e as mulheres são melhores avaliadoras de carácter e disposição - em média. (E, intrigantemente, os homens homossexuais são mais parecidos com as mulheres do que os heterossexuais em alguns destes aspectos.)

O caso das tarefas áudio-visuais é intrigante, pois tem sido utilizado para argumentar que os homens são naturalmente polígamos, [por analogia com um estudo feito com ratos]. Dizendo-o de um modo mais simples, os ratos polígamos necessitam de saber o caminho entre a casa de uma esposa e a de outra - e é certamente verdade que em muitos animais polígamos, incluindo os nossos parentes, os orangotangos, os machos patrulham uma área que inclui os territórios de várias esposas. Quando se pede às pessoas para rodarem mentalmente um diagrama de um objecto para ver se é igual a outro objecto, apenas cerca de uma em cada quatro mulheres tem uma pontuação tão elevada como a de um homem médio. Esta diferença aumenta durante a infância. A rotação mental é a essência da leitura de mapas. Mas parece ser um grande salto argumentar que os homens são polígamos porque são melhores a decifrar mapas apenas porque é verdade para os ratos.

Além disso, existem capacidades espaciais que as mulheres desempenham melhor do que os homens. Irwin Silverman e Marion Eals, da Universidade de York em Toronto, raciocinaram que a habilidade masculina nas tarefas de rotação mental, provavelmente, reflectia, não algum paralelo com os ratos machos polígamos que patrulham grandes territórios para visitarem várias fêmeas, mas um facto muito mais particular sobre a história humana: que no Plistocénico, durante um milhão de anos ou mais, quando o homem primitivo era um caçador-colector africano, os homens eram os caçadores. Por isso os homens necessitavam de ter capacidades espaciais superiores para lançarem armas contra alvos em movimento, para fazerem ferramentas, para descobrirem o caminho para casa, para o acampamento, depois de uma longa viagem, etc.

Muita desta sabedoria é convencional. Mas Silverman e Eals perguntaram então a si próprios: de que capacidades espaciais especiais necessitariam as mulheres colectoras que os homens não precisassem? Uma coisa que previram foi que as mulheres necessitariam de reparar mais nas coisas - para localizarem raízes, cogumelos, bagas, plantas - e de recordar marcos para saberem onde deviam procurar. Por isso, Silverman e Eals fizeram uma série de experiências que requeriam que os estudantes memorizassem uma imagem cheia de objectos e que a relembrassem mais tarde, ou que se sentassem num quarto durante três minutos e mais tarde recordassem que objectos estavam no quarto (foi dito aos estudantes que apenas lhes era pedido para esperarem no quarto enquanto se preparava outra experiência). Em cada medida de memória de objectos e memória de localização, as estudantes femininas tiveram resultados melhores do que os homens em 60% a 70% dos casos. As velhas piadas sobre as mulheres repararem nas coisa e os homens esquecerem as coisa dentro de casa e terem de perguntar às mulheres são verdadeiras. A diferença surge perto da puberdade, altura em que as capacidades verbais e sociais das mulheres começam a ser melhores do que as dos homens.

Quando uma família se perde durante um passeio de carro, a mulher quer parar e perguntar o caminho, enquanto o homem persiste em tentar descobrir o caminho através de um mapa ou de marcos. Este cliché está tão difundido que deve existir alguma verdade nele. E está de acordo com o que conhecemos sobre os sexos. Para um homem, parar para perguntar o caminho é uma admissão de derrota, algo que os machos conscientes do estatuto evitam a todo o custo. Para uma mulher é senso comum e joga com os seus pontos fortes nas capacidades sociais."


2 Comentários:

Blogger Catritas disse...

Cara correspondente, saúdo o teu regresso!

5:48 da tarde  
Blogger Paulo Patrício disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

1:01 da manhã  

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