segunda-feira, outubro 04, 2004

O declínio do império do lazer

É absolutamente exasperante constatar que os preços praticados nos equipamentos geridos pela Câmara da Póvoa funcionam numa razão inversamente proporcional à qualidade do serviço. O exemplo da polémica Varzim Lazer, EM é gritante. Ao invés do que seria legítimo esperar, a actualização regular do tarifário tem correspondido, não à optimização de recursos, mas a uma delapidação da estrutura.
No caso das piscinas, a condição precária das torneiras de alguns chuveiros anda de mãos dadas com um aterrador manto de humidade que se tem apoderado gradualmente do balneário masculino. Um retrato pouco acolhedor para os utentes e pouco abonatório para os gestores da empresa. Se dermos um salto até ao pavilhão municipal, igualmente sob a alçada da autarquia, o cenário não é mais risonho. O temporizador automático do chuveiro faz jorrar a água durante cinco segundos, o que, bem vistas as coisas, até pode ser encarado como um exercício benéfico para os dedos (sobretudo os que se querem musculados). Pelo menos para quem vem do ginásio subterrâneo, onde os halteres desaparecidos há quase dois anos continuam por repor. Será que alguém é capaz de introduzir no dicionário autárquico o conceito de manutenção?
Tenho que reconhecer que as situações supracitadas parecem (sê-lo-ão, efectivamente) minudências aos olhos de um executivo municipal assoberbado por 1001 tarefas de maior envergadura. Feita esta ressalva, é, por outro lado, fácil concluir que por alguma razão se criou uma empresa autónoma (gerida com fundos camarários): precisamente para que os espaços desportivos do concelho não ficassem ao abandono. Ora, perante esta definição de competências, e uma vez que os utentes pagam com esforço um serviço que se exige de qualidade, não cabe a outra entidade que não a Varzim Lazer, EM zelar pelo bom funcionamento do equipamento. Ou então, em caso de impossibilidade de cumprir esta premissa, prescindir da actualização dos preços. É que não pode ser sempre o cidadão comum a equilibrar a balança anual do deve e do
haver de uma empresa que já provou ser de duvidosa saúde financeira.

2 Comentários:

Blogger BeanSprouts disse...

Pois, mas parece que os nossos autarcas estao muito contente com o papel que desempenham. no ultimo verao fui varias vezes ao Ginasio do Varzim Lazer e acho que e um roubo 3,5euros por hora quando eu, que vivo num pais que e 3 vezes mais caro que portugal, pago menos que isso e posso usar o ginasio ( ou piscina, ou sauna, ou tudo ) o tempo que quiser!!!!!!

5:41 da tarde  
Blogger NS disse...

A razão é simples, meu caro. Em Portugal, e neste caso na Póvoa, o desporto e a cultura ainda são considerados um luxo. E, como tal, taxados a preceito. Fujamos, enquanto é tempo!!!

7:19 da tarde  

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